Pascóa e sua Pessach na Maçonaria

Meus irmãos estamos comemorando a Pessach ( Pascóa ) para as tradições Judaica e Cristã. Postamos aqui três reflexões válidas para todos Maçons. A reflexão Maçônica, a Cristã e a Judaica, facetas diferentes do mesmo diamante.

 

Comemoramos no final do mês de março uma data muito importante, a Páscoa. A comemoração é uma das mais antigas da cultura ocidental e remonta de um período anterior ao Monoteísmo, período anterior a Moisés e Abraão. Como um ponto de transição temporal, a Páscoa nos lembra que o ciclo recomeça, que nossa melhora pessoal tem seu reinício e que a partir do próximo ciclo, temos mais uma etapa pela frente.

A origem do termo indica o reinício do ciclo solar, a páscoa, ou “peschad” do hebreu, tem a tradução como passagem. A data marca a transição do inverno pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre entre os dias 20 ou 21 de março e no sul em 22 ou 23 de setembro. Segundo a simbologia antiga, a páscoa marca o fim da morte do ciclo solar, o fim da fome, fim da escassez de comida e início de um novo ciclo. A partir dessa data os povos poderiam voltar a plantar, viam a criação crescer, a caça voltar a ser abundante, flores, folhas, frutos, era o período propício para criar os filhos, para ampliar as vilas, ou seja, a vida recomeçava.

Como referência histórica temos que os povos antigos, erroneamente chamados de pagãos, homenageavam a Deusa Ostera (ou Ostara), ou Ëostre, a Deusa da Primavera que em grafias antigas segurava um ovo em sua mão e observa um coelho. O ovo é o símbolo do nascimento e o coelho é o símbolo da fertilidade por ter muitos filhotes. Em inglês o nome Ëostre se tornou Easter, ou traduzindo, Páscoa.

Com o advento do Judaísmo, a celebração da Páscoa ou Pêssach (passar, transpor algo ), marca o dia que Deus libertou os escravos Hebreus da mão do Império Egípcio. Essa passagem é marcada pelo livro de Êxodo, versículo 12, após as pragas no Egito e Levítico, versículo 23 e já foi retratada em diversos livros e filmes, principalmente pela passagem pelo Mar Vermelho. É uma festa instituída por Deus como uma lembrança para os filhos de Israel jamais esquecerem que foram escravos no Egito, e que o próprio Deus os libertou. É comemorado com uma grande festa, uma ceia importante para a religião e marca a passagem do estado de escravidão para uma vida de liberdade, e prepara os filhos de Israel para a próxima aliança que estava prestes a vir no Monte Sinai.

No Brasil, país de maioria Cristão, comemoramos a Páscoa Cristã, período no qual Jesus Cristo é sacrificado durante o período da Páscoa Judaica, se tornando um paralelo entre a aliança antiga e se tornando uma nova aliança. Segundo a tradição Cristã, Jesus representa o cordeiro de Deus (em latim o Agnus Dei), o mesmo cordeiro que foi imolado para marcar as casas dos Filhos de Israel na passagem Judaica. A nova aliança informa que não haverá mais derramamento de sangue, e que a partir de agora, o filho de Deus se sacrificará em nome do povo, e assim o Pecado Original deixará de existir. Os dias que antecedem o final de semana de Páscoa, são marcados por inúmeras cerimônias especiais da Igreja, sendo as mais impactantes a Missa de Ramos, que marca a chegada da comitiva de Jesus na cidade de Jerusalém, e a Última Ceia de Jesus com seus apóstolos, ocorrida na última quinta-feira, quer marca a instituição da Eucaristia, também conhecida como comunhão.

Na Maçonaria essa data é celebrada por uma sessão especial, a Quinta-feira de Endoenças, tradição do Grau de Cavaleiro Rosa Cruz, mais praticado no Brasil pelo Grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito. Segundo a lenda da sessão, uma reunião apartada autônoma da reunião do Grau 18, após a colação do grau de Cavaleiro Rosa Cruz, o Maçom adquire a obrigação de se reunir com seus pares, na primeira quinta-feira de lua cheia após o equinócio, denominada quinta-feira de Endoenças.

Nessa sessão os peregrinos Rosa Cruzes se reúnem anualmente para compartilhar experiências, trazem notícias de irmãos adoentados, realizam uma ceia única em toda a Maçonaria e após ela, partem para uma nova jornada de peregrinação e doutrina. A ceia marca a passagem de uma jornada para a próxima. A base dos ensinamentos Maçônicos tem origem nas escrituras judaicas/cristãs, e nesse viés a Maçonaria criou a sessão de Endoenças, onde os Cavaleiros Rosa Cruzes tem a oportunidade de se reunir em comunhão, como fizeram os Apóstolos, e partir novamente para o mundo transmitindo seus conhecimentos e doutrinas, tornando nossa sociedade cada vez mais justa e perfeita.

Assim, a Páscoa reforça no coração de todos, o sentimento de um novo ciclo, de um novo recomeço, de perdão e arrependimento, um momento único de começar uma nova jornada abandonando velhos vícios e se tornando mais iluminado.

No Cristianismo, temos a bela HOMILIA DO PAPA BENTO XVI :

“Aqui, o símbolo central da história da salvação – o cordeiro pascal – é identificado em Jesus, chamado precisamente «o nosso cordeiro pascal». A Páscoa hebraica, memorial da libertação da escravidão do Egipto, previa anualmente o rito da imolação do cordeiro, um cordeiro por família, segundo a prescrição de Moisés. Na sua paixão e morte, Jesus revela-Se como o Cordeiro de Deus «imolado» na cruz para tirar os pecados do mundo. Foi morto precisamente na hora em que era costume imolar os cordeiros no Templo de Jerusalém. O sentido deste seu sacrifício tinha-o antecipado Ele mesmo durante a Última Ceia, substituindo-Se – sob os sinais do pão e do vinho – aos alimentos rituais da refeição na Páscoa hebraica. Podemos assim afirmar com verdade que Jesus levou a cumprimento a tradição da antiga Páscoa e transformou-a na sua Páscoa.

A partir deste novo significado da festa pascal, compreende-se também a interpretação dos «ázimos» dada por São Paulo. O Apóstolo refere-se a um antigo costume hebraico, segundo o qual, por ocasião da Páscoa, era preciso eliminar de casa todo e qualquer resto de pão fermentado. Por um lado, isto constituía uma recordação do que tinha acontecido aos seus antepassados no momento da fuga do Egipto: saindo à pressa do país, tinham levado consigo apenas fogaças não fermentadas. Mas, por outro, «os ázimos» eram símbolo de purificação:

“eliminar o que era velho para dar espaço ao novo.”

Agora, explica São Paulo, também esta antiga tradição adquire um sentido novo, precisamente a partir do novo «êxodo» que é a passagem de Jesus da morte à vida eterna. E dado que Cristo, como verdadeiro Cordeiro, Se sacrificou a Si mesmo por nós, também nós, seus discípulos – graças a Ele e por meio d’Ele –, podemos e devemos ser «nova massa», «pães ázimos», livres de qualquer resíduo do velho fermento do pecado: nada de malícia ou perversidade no nosso coração.

“«Celebremos, pois, a festa (…) com os pães ázimos da pureza e da verdade»: esta exortação de São Paulo, que conclui a breve leitura que há pouco foi proclamada, ressoa ainda mais forte no contexto do Ano Paulino. Amados irmãos e irmãs, acolhamos o convite do Apóstolo; abramos o espírito a Cristo morto e ressuscitado para que nos renove, para que elimine do nosso coração o veneno do pecado e da morte e nele infunda a seiva vital do Espírito Santo: a vida divina e eterna. Na Sequência Pascal, como que respondendo às palavras do Apóstolo, cantámos: «Scimus Christum surrexisse a mortuis vere – sabemos que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos». Sim! Isto é precisamente o núcleo fundamental da nossa profissão de fé; é o grito de vitória que hoje nos une a todos. E se Jesus ressuscitou e, por conseguinte, está vivo, quem poderá separar-nos d’Ele? Quem poderá privar-nos do seu amor, que venceu o ódio e derrotou a morte?

O anúncio da Páscoa propaga-se pelo mundo com o cântico jubiloso do Aleluia. Cantemo-lo com os lábios; cantemo-lo sobretudo com o coração e com a vida: com um estilo «ázimo» de vida, isto é, simples, humilde e fecundo de obras boas. «Surrexit Christus spes mea: / precedet vos in Galileam – ressuscitou Cristo, minha esperança / precede-vos na Galileia». O Ressuscitado precede-nos e acompanha-nos pelas estradas do mundo. É Ele a nossa esperança, é Ele a verdadeira paz do mundo. Amen.”

Do Judaísmo

Partindo da premissa de estudo judaico, conhecida como a tipologia “Pardes”, descreve quatro abordagens diferentes da exegese bíblica no Judaísmo rabínico:

Psaht – o “simples significado” de um versículo ou de uma passagem;

Remez – “sinais” de um significado mais profundo e não apenas o seu sentido literal;

Drash – interpretação; descobrir o significado através do midrash, por comparação de palavras, de formas e de ocorrências semelhantes noutros locais;

Sod – o “segredo” ou o significado místico de uma passagem, determinado através de inspiração ou revelação.

Aqui uma interessante visão do Rav Efraim Birbojm:

‘…, está escrito “E o coração do Faraó se endureceu… E ele também não se importou com isso” (Shemot 7:22,23). Nas próximas pragas, sapos, piolhos, animais ferozes e epidemia, a Torá alterna entre “o coração do Faraó se endureceu” e “o Faraó deixou pesado seu coração”. Por que na praga do sangue, após a Torá dizer que o Faraó endureceu seu coração, foi necessário dizer que ele não se importou? Além disso, por que a Torá repete tantas vezes que o Faraó endureceu seu coração e deixou-o pesado?

Explicam os nossos sábios que a praga do sangue foi a única que não atingiu o Faraó. Em um reconhecimento pelo Faraó ter criado Moshé em seu palácio, D’us o poupou desta praga. Se o Faraó fosse um bom líder, mesmo estando livre da praga, ele teria se preocupado com o bem-estar de seu povo. Porém, o Faraó demonstrou ser uma pessoa insensível. Como o sofrimento não o atingiu, então ele não se importou com o sofrimento dos outros. Mesmo que seu povo estava literalmente morrendo de sede, isto não sensibilizou o Faraó. Nas outras pragas, quando a praga cessava e terminava o seu sofrimento pessoal, o Faraó voltava a se comportar de forma insensível, não se importando com o seu povo e todo o sofrimento pelo qual eles passavam.

O Faraó representa o nosso Yetser Hará (má inclinação). A Torá repete diversas vezes a reação do Faraó aos sofrimentos que recaíam sobre o seu povo para nos ensinar que esta é uma das táticas do nosso Yetser Hará, de querer tirar a nossa sensibilidade, de nos fazer deixarmos de sentir o sofrimento dos outros. Quando nossos corações se tornam insensíveis, a ponto de não se afetarem mais com a dor dos outros, este é um momento extremamente perigoso para a humanidade. Embora seja parte de um mecanismo natural para nos ajudar a lidar com traumas e dificuldades, se permitirmos que esta insensibilidade cresça a ponto de a dor alheia não ser mais sentida e não nos motivar a tomarmos atitudes corretivas, então isto é um sinal de que perdemos o nosso lado humano.

A Torá nos comanda a oferecermos um cordeiro que, após a Shechitá (abate), deveria ser assado, não cozido. Todas as pessoas que quisessem comer de um Korban Pessach precisavam estar juntas em um mesmo grupo. Além disso, nenhum osso do Korban Pessach podia ser quebrado. Por que tantos detalhes estranhos em relação ao Korban Pessach, que não encontramos em outros Korbanót? E por que justamente um cordeiro e não uma vaca?

Explicam os nossos sábios que o cordeiro é um animal pequeno e delicado. Se alguém pisa em uma de suas patas, seu corpo inteiro se arrepia. Quando uma carne é cozida, o cozimento faz com que as partes do animal comecem a se separar. Porém, quando assamos uma carne, as partes do animal se compactam e se unem ainda mais. Os ossos não podem ser quebrados, pois a quebra implica em uma separação. Os judeus devem estar em grupos para comer o Korban Pessach. A mensagem de todos estes detalhes contidos no Korban Pessach é a mesma, pois aludem ao desenvolvimento de um senso de união e proximidade, que normalmente são sentidos quando estamos em família, e ao desenvolvimento da nossa sensibilidade em relação às dores e sofrimentos sentidos por outros judeus. O povo judeu é comparado com um cordeiro, pois se um judeu sente dor, o povo judeu inteiro deve sentir também esta dor. Quando nos unimos, como se fossemos uma única família, nos tornamos um povo forte.

Uma dor que não podemos escapar é a dor de quando alguém muito próximo, como um familiar ou um amigo, está passando por algum sofrimento. Portanto, este é o antídoto para que nossos corações não fiquem insensíveis à dor alheia: internalizar que todos aqueles que estão sofrendo são nossos irmãos, parte de nossa grande família. E se conseguirmos sentir isto de verdade, então não descansaremos até que o sofrimento deles seja ao menos diminuído. A Torá descreve o Faraó como sendo alguém pequeno, enquanto a Torá relata que “Moshé cresceu e saiu para ver seus irmãos e observar sua opressão” (Shemot 2:11). Quando a Torá diz que o Faraó era pequeno e Moshé cresceu, não necessariamente está se referindo ao tamanho físico deles, e sim à bondade e a preocupação com o próximo de cada um deles. O mundo do Faraó incluía apenas ele mesmo, pois ele não se importava com os outros, por isso ele é descrito como sendo pequeno. Já Moshé, mesmo estando nos luxos do palácio, saiu para ver seus irmãos. Ele se tornou grande, pois seu mundo não era apenas ele mesmo, incluía também todos os outros judeus, seus “irmãos”.

O processo para voltarmos a ter sensibilidade começa com a personalização das tragédias que ocorrem, como se fossem conosco ou com nossos familiares. Apesar de a dor ser algo desconfortável, ela é um sinal de que ainda estamos espiritualmente vivos. Se, D’us nos livre, perdermos a nossa capacidade de sentir dor, junto nós perdemos a capacidade de verdadeiramente sentirmos a beleza da vida.

Pessach é Zeman Cheruteinu. É a época de nos transformarmos, de pessoas pequenas em seres humanos gigantes, que se importam com seus semelhantes, como se fizéssemos parte de uma única família. Começamos o “Maguid”, parte do nosso Seder, com o “Há Lachmá Aniá”, no qual convidamos todos os que necessitam para que venham e comam. Saímos do Egito unidos, como um só povo. Somente quando voltarmos a nos unir seremos libertados deste nosso atual exílio, no qual somos escravos do nosso próprio egoísmo.

Outro fato interessante a respeito dessa data: No sétimo dia de sua saída do Egito, o Povo de Israel, perseguido pelo exército egípcio, presenciou um dos mais espetaculares milagres registrados na Torá: a abertura do mar. até os dias de hoje, o evento é símbolo da Graça Divina e salvação para judeus e não-judeus.

Sobre isso o Rabino Aron Moss nos diz: D’us não os levou pela terra dos filisteus, que era perto, porque D’us disse: “O povo poderá reconsiderar quando eles virem a guerra, e retornar ao Egito.”

Apesar disso, a história bíblica é para nos dar uma lição para a nossa vida pessoal. Eis aqui como entendo as palavras dos sábios sobre isso: A terra é formada de oceanos e continentes, mar e terra seca. A diferença entre os dois é: na terra seca, tudo é aberto e visível. As árvores, animais, montanhas e pessoas que ocupam são todas facilmente vistas. O mar, por outro lado, é uma grande expansão azul de mistério. Embora o mar seja fervilhante de vida, quando você olha não pode identificar nada; tudo está escondido abaixo da superfície.

Assim ocorre com uma pessoa. Nossa personalidade tem duas camadas; nosso mar e nossa terra. Aquilo que sabemos de nós mesmos, nossas forças visíveis, nossos talentos testados e nossas habilidades conhecidas, os elementos do nosso caráter dos quais somos conscientes – esses formam a “terra seca” da nossa personalidade. Porém abaixo da superfície do nosso caráter está um vasto mar de talentos latentes, forças interiores e habilidades ocultas que jamais soubemos ter. Nas profundezas da nossa alma há uma reserva de energia adormecida esperando para ser descoberta. Este é o nosso “mar”, e até nós mesmos desconhecemos o que se encontra ali.

Como podemos acessar este reservatório de potencial? Como o nosso mar pode ser terra seca? Há somente uma maneira. E sabemos disso pelo encontro no Mar Vermelho.

Os judeus ficaram encurralados: de um lado os egípcios fechando o cerco, de outro um mar bravio os ameaçando. Eles tinham apenas duas opções: desespero ou fé. A lógica e a razão lhes dizia para que desistissem. Não havia uma maneira possível para sair daquele impasse. Mas a fé exigiu que eles continuassem marchando para a Terra Prometida. Com mar ou sem mar, este é o caminho ao qual D’us nos levou, portanto temos de ter fé e seguir em frente. E assim fizeram. Foi naquele momento, quando a desesperança foi enfrentada pela fé, que o impossível aconteceu, e o mar se abriu e virou terra seca. O obstáculo maior se dissolveu em nada, sem conflito, apenas com fé. O povo se tornou habilitado exatamente quando reconheceu D’us como o único verdadeiro poder. Ao se renderem a uma força maior, eles descobriram a força dentro deles. Partiram seu próprio mar.

Os judeus não desconhecem tempos de desafio. No próprio nascimento da nossa nação, aprendemos como enfrentar estes desafios. Então D’us nos levou até o mar e o abriu para nós. Ele estava dizendo a todo judeu para todos os tempos: Os obstáculos não são interrupções à jornada; eles são a jornada. Continuem marchando até a Terra Prometida ( independente de sua crença). Todo desafio ao longo do caminho lhes dará maior compreensão e poder renovado. Apenas tenham fé. Isso vai abrir o seu mar.

No Ritual Judaico da Pessach, uma parte é instruído quanto ao cardápio da noite:

“Por que essa noite é diferente de todas as outras?” Onde é feita um refeição lembrando a travessia do deserto.

  1. “Em todas as noites não precisamos molhar (dip) nem uma vez, nessa noite fazemos isso duas vezes.” Molhar a erva amarga na agua salobra
  2. “Em todas as noites comemos chametz (fermento) ou matsá, nessa noite comemos apenas matsá.”
  3. “Em todas as noites comemos qualquer tipo de vegetais, nessa noite maror (ervas amargas).”
  4. “Em todas as noites comemos sentados eretos ou reclinados, nessa noite todos nos reclinamos.” (Essa ordem das perguntas é baseada na ordem do Arizal.)

Esses quatro elementos – Mergulhar/Molhar, Matsá, Maror, Reclinar – representam quatro perguntas fundamentais da alma que cada um de nós deve fazer a si mesmo.
Mergulhar é a sublimação de nossas vidas materiais (simbolizado pelo vegetal, o “fruto da terra” para fins espirituais. Como a imersão num micve (um banho ritual), quando submergimos nossos corpos num estado de ser mais elevado.

Matsá é o “alimento” da humildade.

Maror é empatia.

Reclinar é simbólico de conforto e liberdade. Em vez da severidade de sentar ereto, relaxamos.

A alma das quatro perguntas nos compele a fazer as quatro perguntas seguintes:

  1. Vejo o materialismo como um fim em si mesmo, ou “mergulhado” – como um meio para metas espirituais?
  2. Eu tenho humildade?
  3. Tenho empatia e compaixão?
  4. Estou à vontade comigo mesmo?

Obviamente, cada uma dessas perguntas é apenas um cabeçalho para uma série de questões mais abrangentes que avaliam nossas psiques, e nos ajuda a reconhecer o que nos mantém escravizados e o que precisamos para sentir transcendência.

1 – Molhar – Avaliação do equilíbrio entre as dimensões materiais e espirituais da sua vida.

  • Valorizo a importância de “molhar”?
  • Quais são minhas metas espirituais?
  • Uso meu trabalho ou outras atividades físicas como uma pedra fundamental para objetivos mais altos?
  • Como mantenho esse “mergulhar” o ano inteiro? Por exemplo: Doar diariamente para caridade.
  • Por que é difícil para mim elevar minhas necessidades corporais e gratificação instantânea?

2 – Matsá – Avaliação de seu ego VS. sua humildade e modéstia.

  • Eu entendo a importância da humildade?
  • Valorizo aquele que é o elemento mais importante em me libertar de qualquer medo e resistência emocional?
  • Existem algumas áreas em minha vida onde me sinto mais humilde? Por quê? E quais áreas precisam de trabalho especial para domar o meu ego?
  • Qual é a raiz da minha arrogância? É devida às minhas forças ou às minhas fraquezas?
  • A minha arrogância é como uma cortina de fumaça para a minha insegurança?

3 – Maror – Avaliação de seu nível de empatia e compaixão

  • O quanto sou empático com os outros e comigo mesmo?
  • Minha compaixão vem com “cordões”, i.e., meu próprio ganho pessoal?
  • Quando foi a última vez que partilhei lágrimas pelo sofrimento de outro?
  • Eu entendo que a empatia se iguala à sensibilidade – a própria essência de estar vivo? Que quando não tenho compaixão por estranhos, isso também impacta a bondade que mostro para mim mesmo e aos entes próximos?

4 – Reclinar – Avaliação de sua autoestima.

  • Por que não estou sempre à vontade na minha própria pele?
  • Há tempos e situações quando atinjo uma calma profunda? Quando estou seguro comigo mesmo?
  • Caso seja sim, entendo o que traz aquele nível de tranquilidade? E posso acessá-lo quando quiser?
  • Meus amigos estão aumentando minha tensão ou minha paz de espírito? Eu me coloco em situações que alimentam minha insegurança?
  • Posso nessa noite me encostar e reclinar, sabendo que coloco minha confiança em D’us?

As perguntas continuam. Essas são apenas uma amostra de perguntas – um catalisador – que cada um de nós usa para aumentar nossa experiência do Seder. Permita-se perguntar a nós mesmos quão poucas ou muitas questões que ajudam você a personificar o Seder de Pêssach.

Lembre-se, mesmo se você não pode responder a todas essas perguntas ou respondê-las satisfatoriamente, o simples fato de se permitir entrar na arena da sua alma e suas emoções já é o primeiro passo da liberdade.

Lembre-se também que toda experiência é apenas tão poderosa quanto sua preparação para ela. Por este motivo começamos as preparações formais para Pêssach (e todas as festas) trinta dias antes. Começamos a estudar suas leis, e acima de tudo – a nos preparar espiritualmente para a experiência especial que nos espera.

Portanto, pode ser inteligente se preparar para o Seder com o seguinte exercício:

Antes de Pêssach começar pegue um pedaço de papel e anote:

  1. Três inibições (chametz; mitzrayim) que você gostaria de se livrar. Assegure que são três impedimentos ou temores, não pessoas ou situações fora de si mesmo (como um parente intolerável ou um chefe infernal).
  2. Quatro aspirações e sonhos que gostaria de realizar. Quatro áreas (como os quatro copos de vinho) nos quais gostaria de celebrar a liberdade. Não focar muito nos meios (como ganhar muito dinheiro), mas nos fins.
  3. Três áreas nas quais você é egoísta, e três (como as três matsot) nas quais tem uma dose especial de humildade.

À medida que desfruta o Seder, bebendo os copos de vinho e comendo matsot e maror, ou na reunião familiar com um belo  vinho e bacalhau e doces ao fim, pense sobre essas listas.

Então meus irmãos, feliz Páscoa, ou Pêssach ou passagem, que o próximo ciclo do nosso astro rei seja mais profícuo que o anterior, e que os ensinamentos de nossa Ordem possam ser transmitidos da melhor forma possível.

Grande Abraço!

Autores: Bruno Oliveira e Rodrigo Menezes

 

Bibliografia:

Torah – Editora Sefer

Sidur – Editora Sefer

https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1174367/jewish/A-Abertura-do-Mar.htm

http://zivabdavid.blogspot.com.br/2014/04/abrindo-o-mar-abrindo-porta.html

http://www.morasha.com.br/pessach/o-milagre-da-abertura-do-mar.html

http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/homilies/2009/documents/hf_ben-xvi_hom_20090412_pasqua.html

Bruno Oliveira

Bruno Oliveira

Mestre Maçom da Loja Amizade, Trabalho e Justiça, Oriente de Umuarama/PR filiada ao GOP - COMAB. Senior Demolay e Past MC do Capitulo Umuarama nº133 da Ordem Demolay - SCODRFB. Past-Sumo Sacerdote do Capitulo Umuarama nº 43 de Maçons do Real Arco filiado ao Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil e Membro Fundador do Conselho Zohar filiado ao Supremo Grande Conselho de Maçons Crípticos do Brasil.

Um comentário em “Pascóa e sua Pessach na Maçonaria

  • 12 de Abril de 2018 em 08:08
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    O citado Grau de Cavaleiro Rosa Cruz ou Grau 18 do Rito Escocês Antigo e Aceito e sua Ceia Mística, é uma bela cerimônia que vale a pena participar todo ano e ter seu ritual estudado minuciosamente, para entendermos a importância e riqueza dos ensinamentos ali descritos.

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