A Preguiça de Começo de Ano

Esse texto abrange um mal que acontece com alguns Maçons, não todos, e acredito que seja um mal sentido por muitas pessoas que normalmente procuram fugir da realidade de suas Lojas.

Em contato com muitos irmãos, principalmente em ano de eleição para Lojas Simbólicas, ouço muito que Maçons estão desanimados, perdem o sentido de estarem em suas Lojas, de querer se manter filiado fazendo o mínimo de presença ou mesmo a vontade de pedir pra sair. Posso afirmar que esse sentimento também me passa pela cabeça diversas vezes. Essa vontade é normalmente passageira e tende a sumir conforme o ano Maçônico evolui.

Temos um grande conflito de ideias, que podem ser representadas por gerações ou muitas vezes por comodismo de muitos. Autores como Albert Mackey e Albert Pike já escreveram sobre a preguiça ou comodismo de muitos Maçons, a falta de vontade de ler, de se aprimorar, de sair do entendimento raso dos símbolos. Vou deixar aqui só um desses textos:

Nesse cenário, vejo que muitos irmãos que procuram sempre trazer novidades para suas Lojas, se veem em conflito quando são impedidos por membros mais cômodos. É uma briga constante que acontece em todo lugar onde os “meninos da internet”, querem trazer as suas “novidades”, que normalmente são iniciativas mais antigas do que os nossos rituais atuais.

Uma prática comum nos Estados Unidos é a dedicação exclusiva de cada Maçom. Como os corpos possuem administrações distintas, sendo elas: Loja Simbólica, Loja de Perfeição, Capítulo Rosa Cruz, Conselho Kadosch, Consistório, Capítulo do Real Arco, Conselho Críptico, Comanderia, Schriners, Capítulo Demolay, Capítulo Arco-Íris, Capítulo Estrela do Oriente, entre outros; o Maçom americanos busca dentro dessas diversas oportunidades, dedicar o seu tempo a um desses corpos, se tornando um membro ativo mas não necessariamente participativo em outros corpos. Essa é uma prática saudável, se espalha a responsabilidade para várias pessoas, se cria membros especializados e se mantêm um trabalho zeloso em todas as esferas. Mas precisamos lembrar que as Lojas Simbólicas não cobram o montante de presença que as nossas fazem, por isso você encontra nos grandes centros Lojas Maçônicas com 500, 600 irmãos, quando uma sessão ordinária tem menos de 50 Maçons presentes.

Por aqui funciona um pouco diferente, quem comanda ou trabalha num Capítulo, também o faz em outros, também tem cargo importante na Loja Simbólica. Isso cria um grupo disposto e influente que se sobrecarrega com facilidade e consequentemente se cansa mais rápido da própria ordem. Esse grupo acaba ficando no comodismo, sobrecarregado por atribuições demasiadas, e sem querer, acaba barrando novas iniciativas por cansaço ou desconfiança.

Outro ponto que também interfere bastante é a busca por cargos. Querer a oportunidade de um lugar no organograma da Loja, que possa fazer a diferença, é uma busca constante de muita gente. As vezes por vontade de trazer novas iniciativas, mas muitas vezes por puro orgulho. Nesse sentido, transcrevo um pedaço de um discurso proferido por Arturo de Hoyos, Grande Arquivista do Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito da Franco Maçonaria para a Jurisdição do Sul dos Estados Unidos da America:

“(…) Dizemos que nos encontramos no Nível, e que são as qualidades interiores e não as exteriores que recomendam que um homem seja iniciado Maçom. Se realmente cremos nisto, então reconhecemos que somos verdadeiramente irmãos em um mesmo caminho e que buscamos os mesmos objetivos. Sendo este o caso, devemos nos esforçar para trabalharmos juntos em paz e harmonia. Isto soa algo simples, porém se vêm lojas onde um irmão deixa a Maçonaria simplesmente porque não foi eleito para ocupar o cargo que queria.

Novamente, irmãos, recordem que trabalhamos somente para nós mesmos. Igual as abelhas que trabalham em uma colmeia, trabalhamos pelos interesses do conjunto. A Loja em si é só um minutum mundun; um mundo em miniatura. A Loja não é uma sala de conferências estéril, mas um laboratório de pratica, onde aprendemos os princípios que devem guiar nossa conduta no mundo exterior. Os ensinamentos da Maçonaria são reais e substanciais. Colocam pesadas cargas sobre nossos ombros e demandam que sacrifiquemos nosso tempo e talento para que possamos beneficiar a sociedade em geral.

Se professamos a Maçonaria só com nossas bocas e medalhas ostentadas em nossos peitos, mas não praticamos a caridade e a bondade amorosa, somos hipócritas. Trabalhar e fazer é responsabilidade de cada pedreiro. Todos sabemos que viemos aqui de nossa própria vontade. Não nos queixemos, portanto, quando recebemos os cargos que pedimos. Se tua carga é pesada, considera que a carga de teu irmão também pode ser. Anime-o a seguir seu curso. (…)

Tradução: Grande Oriente do Paraná – Boletim 190/2019

É um grande tapa na cara pensar que somos parte de uma colmeia, onde o trabalho de um é importante para fazer o todo dar certo, por mais irrisório que seja. Pensar que muitas vezes estamos somente nos importando com o EU, e esquecendo do NÓS, é mostrar que por mais que nos esforcemos para lapidar o nosso interior, temos muitas falhas, não existem em nosso meio santos, somente homens de carne e osso.

Mas essa história não se aplica somente a você ou ao seu vizinho, é a história de todos nós, minha também. A busca incessante por uma posição que nos brilha os olhos é um defeito comum que alguns já conseguiram superar, outros ainda não. A escolha de uma nova diretoria, de um cargo, de um título, é parte de uma administração gerida por um único homem, que por mais errado ou falho que possa ser, busca, na grande maioria dos casos, acertar enquanto gestor.

Então para quem quer uma isonomia quando tiver a oportunidade de empunhar o primeiro malhete, devemos primeiro aceitar as determinações do atual Presidente, ou do vindouro. Quem quer mandar, primeiro precisa aprender a obedecer. E nesse cenário é interessante fazer uma ligação com o texto do irmão Arturo, estamos dentro da uma Ordem Maçônica para nos aprimorar como pessoas, e o desapego da vaidade para trabalhar em prol da colmeia é parte desse grande projeto que todos assumimos.

Que sejamos ferramentas importantes dentro desse grande organograma Maçônico. Mapear e entender esses sentimentos mesquinhos é parte de um processo de autoconhecimento importante. Que nossa vontade de fazer mais peça Maçonaria brasileira seja canalizada para fontes que atendam grupos diferenciados, e que possamos, dentro das nossas possibilidades, nos tornarmos ferramentas importantes de formação dentro de nossas Lojas, Capítulos, entre outros.

O próprio site Ritos e Rituais é uma iniciativa nesse sentido, com canais novos como VideoCast, PodCast, Clube do Livro, somos um exemplo que novas iniciativas são importantes e que as ferramentas atuais nos dão cada vez mais oportunidades. Assim, é hora de deixar a preguiça de lado e começar o nosso novo ano Maçônico, que possamos termina-lo vendo que fizemos mais do que esperávamos e que nossos irmãos se tornem cada vez mais instruídos, que se tornem parte de nossa força motora, nossa Colmeia!

Rodrigo de Oliveira Menezes

Rodrigo de Oliveira Menezes

M.'.M.'. da Loja Amizade, Trabalho e Justiça nº 36, Or.'. de Umuarama, filiado ao Grande Oriente do Paraná, filiado ao Supremo Conselho do Grau 33 do Paraná, Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil e Conselho de Maçons Crípticos do Brasil.

2 comentários em “A Preguiça de Começo de Ano

  • CLOVES GREGORIO CHAVES FILHO
    20 de fevereiro de 2019 em 17:58
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    Muito legal e inspirador. Que venha um ano de muito trabalho para todos nós, que tenhamos saco para aturar e perseverança para conseguir o que queremos, ou seja, o progresso!!!

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  • Avatar
    6 de março de 2019 em 15:02
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    Inspirador para este início de ano. Obrigado.

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