Maçom pode Comungar?

Vou contar um relato rápido que vejo com bastante curiosidade. Como Cristão Católico praticante, vejo muitos irmãos participando das missas e da Comunhão e quando percebem que não participo, ficam extremamente intrigados sobre o meu propósito.

Existem diversas matérias que prestam informações mais elaboradas do que pretendo expor aqui, o interesse atual desse artigo somente é mostrar a regra atual da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), independente da luta histórica que a Maçonaria trava com a religião Católica desde o início do século XVIII.

Primeiro lhes apresento o Cânon 916:

Cân. 916 — Quem estiver consciente de pecado grave não celebre Missa nem comungue o Corpo do Senhor, sem fazer previamente a confissão sacramental, a não ser que exista uma razão grave e não tenha oportunidade de se confessar; neste caso, porém, lembre-se de que tem obrigação de fazer um acto de Contrição perfeita, que inclui o propósito de se confessar quanto antes.

Código de Direito Canónico – 4º edição revista – 1983

Uma análise rápida pelo Cânon, mostra claramente que o “estar consciente” é a premissa principal da presente restrição. Independentemente de ter pecado, ou ter feito coisas erradas em um passado longínquo, ou próximo, a confissão sacramental nos torna aptos à Comunhão, mas a obrigação da não repetição é obrigatória. Desta forma, um pecador que se encontra repetindo seus atos, e que não pensa em parar, não consegue a remissão de seus pecados.

Mas aí vem a pergunta, ser Maçom é pecado?

Desde a bula Papal In Eminenti, de 1738, a Igreja Católica já deixava claro sua intransigência em específico com a Maçonaria, já dizia no texto:

” (…) 6. Finalmente, querendo deter os avanços desta previsão, e proibir uma via que daria lugar a deixar-se ir impunemente a muitas iniquidades, e por outras várias razões de nós conhecidas, e que são igualmente justas e razoáveis; depois de ter deliberado com nossos veneráveis irmãos os Cardeais da santa Igreja romana, e por conselho seu, assim como por nossa própria iniciativa e conhecimento certo, e em toda a plenitude de nossa potência apostólica, resolvemos condenar e proibir, tal como condenamos e proibimos, os sobreditos centros, reuniões, agrupamentos, agregações ou conventículos de Liberi Muratori ou Franco-mações ou qualquer que seja o nome com que se designem, por esta nossa presente Constituição, válida para a perpetuidade. “

Texto completo traduzido da Wikipedia

A lista de bulas e discussões da Igreja nesse período é imensa, mas em 1983 foi Publicada a Declaração sobre a Maçonaria, texto assinado pelo então Prefeito Joseph Card. Ratzinger, posterior Papa Bento XVI e aprovada pelo então Sumo Pontífice João Paulo II com o seguinte conteúdo:

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
DECLARAÇÃO SOBRE A MAÇONARIA
Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto que no novo Código de Direito Canónico ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.
Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redaccional seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.
Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.
Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçónicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, p. 240-241).

Texto original

Em conclusão, esta é a atual posição da ICAR sobre a Maçonaria, por esse motivo vejo com estranheza a Comunhão de Maçons, estar praticando, ou no entendimento da Igreja mantendo o pecado recorrente, é um impeditivo de Comungar durante a Santa Missa.

Isso não torna o Maçom menos Cristão do que ninguém, e muito menos o impede de proferir a minha fé dentro e fora da Igreja Católica. A ideia aqui é expor o que para muitos é um fato novo, que não tinham conhecimento.

O cumprimento das regras, tanto na vida civil quanto religiosa, é uma opção pessoal, no caso da vida religiosa não existe multas ou uma autoridade de imposição para o fiel cumprimento. Assim, a profissão da fé é um ato de auto aceitação, faça o que achar que é certo. Lembrando sempre que não existe Cristão que não carrega a sua Cruz.

Rodrigo de Oliveira Menezes

Rodrigo de Oliveira Menezes

M.'.M.'. da Loja Amizade, Trabalho e Justiça nº 36, Or.'. de Umuarama, filiado ao Grande Oriente do Paraná, filiado ao Supremo Conselho do Grau 33 do Paraná, Supremo Grande Capítulo de Maçons do Real Arco do Brasil e Conselho de Maçons Crípticos do Brasil.

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