Usos e Costumes em Lojas Maçônicas

Por Jorge Antonio Mendes

Este trabalho tem por objetivo analisar a prerrogativa da liberdade e colocação em prática de Usos e Costumes em Lojas Maçônicas. Justifica-se por ser algo pertinente a estas Lojas, bem como ao fato de que seu entendimento pode ter interpretações diversas. A adoção de alguns Costumes em Lojas pode ocasionar questionamentos diferentes, dependendo muitas vezes de observações pessoais e vantajosas para quem as pratica.

O questionamento destas práticas, em sua pretensão, coloca uma interpretação do conceito e definição em uma maior profundidade, sempre tendo por objetivo acrescentar, ajudar e evoluir cada vez mais em uma busca justa e perfeita. Por que se adotam práticas em Lojas que, em outras do mesmo Rito, estes costumes são abominados e não adotados?

Sabemos que na história, por circunstâncias diversas, Usos e Costumes tornam-se regras. Nas Lojas Maçônicas não foi diferente, pois com o passar dos tempos algumas coisas adotadas, e por serem usuais rotineiramente, tornaram-se regras oficiais. Além de que, com o passar dos anos, regras são alteradas devido à evolução dos tempos e adaptações aos momentos de vida dos segmentos envolvidos. Estas mudanças, quando necessárias, é que devem ser melhores analisadas. Esta análise deve ser feita, necessariamente, em caráter oficial para que não resida o grande descompasso na liberalidade de adoção de práticas que poderão se tornar regras. Urge decisões de instâncias oficiais, normatizando situações adotadas diferentemente por motivos circunstanciais.

Algumas interpretações, devem se aproximar de um consenso, tendo em vista que o objetivo é único.

A liberdade para as mudanças necessárias de regras em Lojas Maçônicas, e isto está autorizado em Manuais com ressalvas, deve permear a análise profunda e histórica do Rito e adotar-se algumas regras particulares, acobertados pela liberalidade do Rito quanto aos seus Usos e Costumes estão descaracterizando-o. Mesmo que esteja bem claro que a atualidade de certas práticas não deve perder o contexto histórico do fato.

Apesar de ser uma premissa básica o entendimento do Rito, na sua primeira e decisiva finalidade, este entendimento fica em segundo plano quando se interpreta de forma errada o que está escrito. Está lá no Manual de Instruções do Rito Schöroder – Grau de Aprendiz Maçom: O termo Rito incute nas pessoas o hábito cerimonial. O termo Rito se aplica no sentido de regra, ordem, método, orientação, diretriz, uso e conotações, que impregnam a conduta humana de compromisso com um sentimento preconizado. E como complemento decisivo encontra-se na Edição 2015 do livro Docência Maçônica: Em Maçonaria a aplicação de Usos e Costumes deve ter sempre a observância atenta de suas componentes, entre elas sua temporalidade, não devendo ser confundida, pois, com a tentativa de modificações a serem introduzidas nas regras e normas ritualísticas e administrativas devidamente regularizadas. Exige-se que essas práticas contenham sua habitualidade em grande lapso de tempo, ou seja, observe certa antiguidade.

Reforçar este entendimento apenas traz consigo os elementos que devem ser analisados, entendidos e praticados em Lojas. Quando da adoção de certas normas particulares de costumes em Lojas algumas coisas devem ser levadas em considerações: regras, normas, tradições, culturas, evolução da vida física, temporalidade e outras. Devemos considerar aquilo que nos faz diferentes dos demais, isto é, a tradição, a temporalidade quanto ao seu estágio inicial para que não percamos com o passar dos tempos algumas características que nos fazem diferentes.

Adotar-se certas práticas dentro de uma Loja que são confortáveis ou menos trabalhosas, atitudes estas amparadas em liberalidade dos Usos e Costumes, é afastar-se do caminho da persistência que deve ter um Maçom quanto ao seu esforço físico na busca de uma evolução.

Adotar-se atitudes particulares e, transferi-las para o âmbito de uma Loja é descaracterizar aquele esforço que se deve ter, mesmo que seja penoso, na busca de uma evolução. Não se deve adotar alguns Usos e Costumes em uma Loja porque uma maioria de irmãos achou que deveria ser assim, pois entender que uma maioria é soberana é diferente de uma unanimidade. Adotar algumas coisas pela sua praticidade é incorrer no erro dos que buscam apenas coisas pensando em si próprio e não na busca do coletivo.

Usos e Costumes não devem ser desculpas para adoção de interesses de pequenos grupos. Adaptações devem ser seguidas com relação a sua temporalidade, contudo, de tal modo que nunca fujam daquelas normas preconizadas às suas características básicas.

A adoção de Usos e Costumes, com a retórica baseada em uma simples análise de evoluções apenas ligadas ao calendário de que o mundo evoluiu, passa necessariamente pela análise de suas características iniciais de que a finalidade da evolução do homem em todos os seus aspectos é única e adaptações corriqueiras não devem ser manipuladas apenas visando o conforto dos que as propugnam, pois senão incorre-se no erro de que a evolução dos tempos os transforma em iguais na sua caracterização.

Entender que qualquer evolução pode ser benéfica, necessariamente, não quer dizer que se deve adotá-las, pois decisões de pequenos grupos podem trazer erros em sua concepção. O processo de implantação de regras e normas, necessariamente, têm características próprias e objetivos bem definidos quanto a sua diferenciação. Tentar a aproximação do unânime, quanto à evolução do tempo, e aos seus circundantes que navegam no acaso sem responsabilidades algumas, pode os tornar comuns e descaracterizar aquele grupo de pessoas que buscam, incessantemente, a evolução.

Notam-se em algumas Lojas pequenos grupos tentando adotar práticas que descaracterizam a Maçonaria na sua essência básica, com a simples desculpa que o mundo evoluiu. Nestes casos específicos, numa análise mais profunda, verificam-se adoções de práticas particulares com relação aos rituais que são feitos, sem a preocupação da preservação de uma tradição.

É necessário um entendimento e praticidade mais profunda do que significa Usos e Costumes, mesmo que para isto, tenha-se que adotar certas regras impositivas de fiscalização que podem ser adotadas até mesmo dentro dos referidos grupos.

M.’.M.’. Jorge Antonio Mendes – A.’.R.’.L.’.S.’. Namastê 172 – GLMERGS

Oriente de Esteio / RS

Retirado do Colégio de Estudos do Rito Schröder

Bibliografia

  • Manual de Instruções do Rito Schroder – Grau Aprendiz Maçom – GLMERGS – Edição 2012
  • Docência Maçônica – GLMERGS – Edição 2015

Rodrigo de Oliveira Menezes

Rodrigo de Oliveira Menezes

M.'.M.'. da Loja Amizade, Trabalho e Justiça nº 36, Or.'. de Umuarama, filiado ao Grande Oriente do Paraná, exaltado ao Sagrado Arco Real pela GLPR e filiado a mais 5 corpos Superiores distintos (SC33PR, SGCMRA, SGCMCB, SCFRMB e GCKFRMB-PR).

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